sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A MULHER NOVA - Sociedades matriarcais - patriarcais - Supressão disparidades sociais - Todas as sociedades humanas se consideram "as eleitas" - Criacionista - O Homem novo - Kali - Negra - Naturalismo - Civilização grega em bases matriarcais - Deusa-Mãe - Cultura micênica - por Raul Longo.



A MULHER NOVA
                                               Raul Longo

“Trocaram o logos da posteridade
pelo logo da prosperidade”
Gilberto Gil

“De tanta Estela,
estrela de amor”
Dorival Caimy


Já no início do século passado, Emma Goldman militava pelo Homem Novo. 5 décadas depois: Ernesto Che Guevara. Sabiam que as sociedades não se transformam apenas pela transição ideológica de seus governos.
Essencial a promoção da igualdade de direitos, a supressão das disparidades sociais, a extinção da subserviência humana. Mas por mais sinceras que sejam as intenções e maiores os esforços de políticos e revolucionários, tais conquistas somente deixarão de ser momentâneas se assumidas como compromisso pela maioria dos integrantes de uma sociedade.

Salvo pela pregação de antigos profetas, tidos como homens-santos, não há memória de que alguma vez os indivíduos das sociedades humanas tenham sido educados para encarar ao outro como igual. Pelo contrário, todas as comunidades e grupos humanos do planeta sempre se consideram os eleitos, os escolhidos. Descendentes diretos ou indiretos do homem e da mulher da crença criacionista de seu grupo.

O conceito criacionista, quando fundamentado no matriarcado, não foi mais tolerante aos demais grupos de outros genes, do que aqueles que tinham como criador uma imagem à semelhança de um macho da espécie humana. Sabe-se de culturas matriarcais de extrema xenofobia como, apenas para citar um exemplo, o da deusa Kali, representada com um colar de crânios e uma saia de braços decepados.

No entanto, apesar dessa simbologia à implacabilidade da morte, Kali era também considerada como essência e fonte de existência de todos os seres. Há de se notar que, do sânscrito, a palavra se traduz por Negra, numa sugestão a origens de genes não indianos, mas sim do éden reconhecido pelas concepções evolucionistas: a África.

Como Kali, ao naturalismo se relacionam os supremos arquétipos femininos da criação de todas as civilizações que as adotaram. Assim ocorreu com a primeira civilização européia a desenvolver um sistema linear de escrita, produção de expressão intelectual, relações comerciais (através da navegação) e intercâmbio cultural com povos vizinhos da África e do Mar Egeu: a Minóica.

Vestígios e rastros da influência cultural desta civilização da era do cobre são encontrados em todas as demais entre o continente africano e o oriente, estendendo-se ao norte pela Europa. Mas só foram descobertos por Arthur Evans em 1900, sendo até então considerada mais uma mitologia da genialidade de Homero ao descrever a vingança dos egeus sobre o fabuloso Minotauro. A partir de Evans as pesquisas de arqueólogos e historiadores comprovaram o poderio comercial da frota cretense, comandada pelo rei Minos, pelo qual se batizou tal civilização como Minóica.

A despeito da lenda homérica dos sacrifícios de virgens ao touro antropomórfico dos restos encontrados do extermínio da civilização cretense por um cataclismo natural, se descobriu uma organizada e evoluída civilização matriarcal que teria dado origem à Grega, portanto os precursores de toda a cultura ocidental.

Sem distinções sociais, adoravam a Deusa-Mãe. Segundo alguns pesquisadores, ali surgiram as primeiras práticas esportivas e atléticas entre os homens para deleite e distração das mulheres, responsáveis pela administração dos recursos econômicos obtidos tanto pelo comércio quanto pelo planejamento da produção agrícola, uma das primeiras da história da humanidade.

A transferência desta cultura pela Micênica (de Micenas, cidade grega), é o mais profundo marco histórico da substituição da Fêmea como possibilitadora da posteridade, pela administração masculina da prosperidade.

Analisando as pesquisas de Henry Morgan sobre a estrutura social dos índios iroqueses da América do Norte, Friedrich Engels conclui nesta transposição de poder entre os gêneros humanos As Origens da Família, da Propriedade Privada e do Estado, tais quais os conhecemos hoje. A dedução baseia-se na evidência de que a primeira propriedade privada tenha sido a Mulher quando, valendo-se de sua superioridade em força física, um homem pôs em prática a percepção de que confirmando sua individualidade em seus descendentes, estabeleceria vínculos de ascendência que lhe garantiriam supremacia sobre os demais.

É simples: na poligamia, natural ao matriarcado, a posteridade se garantiria à prole, independente de seus genitores que sequer eram capazes de reconhecer a paternidade entre os que se relacionavam com a mesma mulher. E aos filhos, apenas era possível reconhecer e se devotar a esta mãe. A partir da posse de uma mulher, obrigada a uma relação monogâmica, seus filhos passam a ser filhos de um único homem, ao qual se unirão pela prosperidade exclusiva daquele clã.

Deu certo: os patriarcas dos clãs garantiram a propriedade privada e impuseram a organização dos estados políticos, apoiados nos exércitos constituídos por seus filhos.

A hegemonia do sistema patriarcal se estende por toda a humanidade há tantos milênios que muitos questionam se alguma vez de fato ocorreu o matriarcado aventado por mitólogos desde as guerreiras amazonas, e se realmente se justificariam as reuniões dos Congressos Mundiais de Estudos Matriarcais (Luxemburgo, em 2003; e San Marcos, Texas, em 2005).

Por maiores as incredulidades, não só pelas conclusões antropológicas, mas também por descobertas arqueológicas, a predominância do matriarcado nas origens da humanidade se confirma. Muito antes de Simone de Beauvoir acusar na sublimação da mulher uma hipócrita manifestação de confirmação de poder machista, ou doentia degeneração psicológica (já que, sem dúvida, os homens também são lamentáveis vítimas do machismo), antigos habitantes da Áustria representavam as mulheres em estatuetas (de 24 a 25 mil anos atrás) onde não se moldavam olhos, nariz, boca, nem corpos de alguma sensual sinuosidade ou divinal conformação. Evidente que os atributos de sensualidade variam cronológica e geograficamente, mas as modelagens daqueles primitivos austríacos, muito anteriores aos germânicos, valorizavam fartos úberes e ventres, numa evidente evocação à fecundidade. À posteridade.

Mas é mesmo na história que se consubstancia a tese de Engels, confirmada pela substituição das Kalis, Pacha Mamas e Grandes-Mães pelos deuses supremos das religiões patriarcais politeístas, como o Zeus grego e o Júpiter romano; ou monoteístas como o Jeová ou Alá, Deus entre os cristãos, todos a sancionar o direito ao poder sobre a família, a propriedade e o estado.

Deu certo? Bem... A prosperidade nos levou à Lua, mas nossa sobrevivência ainda não independe da natureza.
O culto ao além, à vida após a morte em um hipotético céu ou paraíso extra-terreno do Deus patriarcal da prosperidade, na verdade vem tornando cada vez mais dúbias as possibilidades de nossa posteridade.

Ao deixar cair a bomba atômica, o B 29 Enola Gay derrubou muito mais do conceito de prosperidade da espécie contido nas religiões patriarcais, do que todas as páginas compostas por Nietzsche. Claro que não será por produzir um inferno a mais ou a menos que os crentes deixarão de repetir que são todos iguais perante Deus, desde que esse Deus garanta suas prósperas exclusividades, mas de toda forma o declínio da crença na sanção infernal aos pecados, vícios e vilezas humanas, iniciou-se com o genocídio em Hiroxima.

Fez-se preciso criar uma nova religião, mais próxima ao imediatismo das ansiedades e veleidades humanas, do que àquelas explicadas pelo Grande Inquisidor do conto de Dostoievski (reaproveitado pelo próprio autor em Irmãos Karamazov ), sobre a garantia ao pão oferecida pela Igreja.

A indústria de comunicações desenvolveu todo um arsenal tecnológico que superou a encomenda não só ofertando algum espírito à sovada realidade terrena, mas inclusive abolindo os temores do inferno. Para que esperar pela morte para usufruir das delícias do paraíso, se cada um pode ter o seu home-theater dentro de casa? E assim se removeu o cadáver do velho Deus que Nietzsche anunciou como morto, substituindo-o por um novo Deus: o Consumo.

As aflições dos devotos já não dependem de missas e confessionários, e sem quaisquer constrições e genuflexões se resolvem batendo pernas pelos corredores dos shoopings-centers.

É verdade que o deus-consumo não dirimiu a impunidade do crime de Hiroxima nem quaisquer dos outros tantos assiduamente praticados em nome da prosperidade dos grandes clãs do mundo contemporâneo, mas garante a cumplicidade de cada um dos habitantes do paraíso terrestre, pois ao homem desse novo deus, mais do que nunca, o que importa é a prosperidade e todo o resto que se lasque!

Nunca a prosperidade nos foi tão cara, tão desejada, tão ansiada e estoicamente perseguida e defendida. Mas também nunca tanto nos esquecemos da posteridade defendida pelas grandes-mães.

E como fica a Mulher? Como ficou a Mulher nesta remodelação do velho Deus em Deus do consumo nosso de cada dia?

Muito diferente! Na antiga religião patriarcal eram exaltadas como célula mater, responsáveis pelos provimentos comezinhos necessários ao cotidiano dos machos do clã. Tinham lá suas tarefas e seus lugares estabelecidos, invariavelmente dentro de casa. Às ruas e lugares mundanos reservavam-se às outras, aquelas já destinadas aos infernos por servirem aos prazeres dos machos, merecedores da complacência do Deus que, afinal, também era macho.

Hoje, inverteu-se a situação: as mulheres são formadas para oferecer prazer aos machos dentro de suas próprias casas, e aquelas, as outras, já não se destinam a inferno algum, pois assim como o céu ou o paraíso sabe-se que também o inferno é terreno. Se por omissão somos cúmplices do genocídio em Hiroxima ou do Sudão, e até das chacinas na favela mais próxima, só mesmo os diabos haverão de querê-las por meros trocados.

Coisificada, a mulher-produto preocupa-se quase exclusivamente em ser bela para justificar o escambo entre seu corpo ao prazer do macho, e a contrapartida de uma vida amena e próspera em consumos. Claro que haverão de desejar alguma independência e atividade econômica, afinal prosperidade nunca é demais! Mas se educam desde a primeira menstruação através de uma única consciência quanto ao papel a ser exercido em relação à posteridade: ter carteira de habilitação para conduzir os filhos às escolas que lhes ensinarão a serem igualmente prósperos, tanto ou preferivelmente mais de que seus genitores. Dessa forma, a mulher moderna deixou de cozinhar para o filho comer e crescer forte, mas continua contribuindo com o futuro... Dos seus, lógico! De quem mais haveria de ser?
E, assim, a felicidade é certa.

Mas no entorno, perifericamente ao clã, um monstro ruge. Ameaça e ataca. Ataca em assaltos à mão armada, ataca em seqüestros, em balas perdidas. Isso quando não, sem que se note e sequer se o perceba, o monstro se instale dentro do próprio paraíso de suas exclusivas prosperidades, imiscuindo-se e corrompendo a felicidade por dentro dos narizes dos filhos, por suas bocas, por suas veias.

Então já não somos mais cúmplices nem omissos. Então nos indignamos com a abjeção da realidade e chamamos a polícia! E queremos o presídio e a justiça! O esquadrão da morte, a ditadura e os justiceiros!
E culpamos o governo.

Mas já é tarde... Emma Goldman e Che Guevara bem avisaram que seria tarde, pois o que precisamos é do Homem Novo. Emma previu que para surgir esse homem, necessário promover uma revolução dentro de cada um. Necessário produzir em cada indivíduo uma revolução contra si mesmo, até que todos ou ao menos grande parte desta sociedade se responsabilize pela continuidade da espécie, pela posteridade.

Che reconheceu que se trata de uma luta difícil, mas nos exortou a sermos duros, intransigentes com nossos vícios, com nossas vaidades e mentiras. Sabia que teríamos de romper com falsos conceitos sobre nós mesmos, com os preconceitos aos nossos semelhantes. Mas também pediu que não perdêssemos a ternura de nos compreendermos, nos entendermos como frutos de uma história mal contada, uma história mal escrita, torta.

A história do individualismo da prosperidade baseada na mentira e no ridículo engodo de sermos uns melhores que outros, mais bem dotados, mais inteligentes. O ridículo engodo dos escolhidos que nos trouxe, a todos, às margens do extermínio.

A luz do Deus da prosperidade, seja nas velas das igrejas ou nos holofotes e néons dos shoopings, nos cega e ainda não conseguimos enxergar a proximidade do enorme abismo anunciado pelos cientistas quando advertem sobre o fim da vida nas águas, a exaustão das terras, o comprometimento dos ares, o assustador aquecimento e declínio biológico do planeta.

Já na Eco 92, no Rio de Janeiro, em seu discurso Fidel Castro alertou sermos uma espécie em via de extinção. Políticos e autoridades internacionais sorriram e descartaram suas palavras como mero alarmismo comunista, lembrando que a longevidade humana tem aumentado, e a progressividade da reprodução populacional se mantém em níveis suportáveis.

Não entenderam nada. Apenas os cientistas e ecólogos presentes assimilaram e concordaram com as razões contidas na advertência do cubano, que hoje toda a imprensa internacional e alguns governos mais sérios repetem.

No entanto, não serão os governos que garantirão a posteridade de nossa espécie, e sim o Homem Novo solicitado pela Ema Goldman no início do século passado e, depois, pelo Che Guevara.
Mas como desenvolver esse Homem Novo? Como educá-lo? Como formá-lo?

Para admiração dos observadores internacionais, em cinco anos o Brasil saiu de uma das maiores taxas de miserabilidade social e desemprego mundial para, pela primeira vez em sua história, alcançar uma média sócio/econômica. Já não somos um país de maioria em condições de subsistência, e hoje temos o mesmo número de famílias vivendo em condições de classe média, quanto temos de famílias em situação de pobreza.

Evidentemente seria ridículo querermos, por esta razão, tentar traçar qualquer relação com as equânimes sociedades escandinavas, ou mesmo com a dos Estados Unidos, aonde ocorre um movimento inverso ao nosso, também assombrando ao mundo pelo crescimento de sua pobreza. No entanto, há algumas questões que, por previdência, seria caso de levantarmos perguntando-nos qual classe média queremos para nossa posteridade?
A dos depressivos escandinavos que apesar de toda exuberante cultura de tão distantes tradições históricas, e a despeito de toda a cobertura nos mais mínimos atendimentos de serviços públicos, além de invejáveis condições de vida, são recordes mundiais em prática de suicídio?

Ou a da neurose da juventude norte-americana com suas constantes chacinas praticadas contra colegas de escola e vizinhos de bairro, destacando-se como maiores consumidores mundiais de drogas pesadas?

Muitos justificam o alto índice de suicídio entre suecos e finlandeses, pelo prolongado clima invernal. Caso de se perguntar como sobriveveram os antepassados lapônios? Mas, o que acontece com os norte-americanos, mesmo nos 40 graus de Los Angeles ou no calor do verão Nova-iorquino?

Apesar de toda a habilidade e disponibilidade tecnológica, é reconhecida a pouca cultura existencial, ou qualquer outra, daquela civilização onde a classe média é definida e designada como Maioria Silenciosa; mas daí a ficar louco!!!??

Sejam quais forem as razões da infelicidade promovida pela falácia da felicidade através da prosperidade desses povos, dão-nos o exemplo de que por mais sinceras que sejam as intenções e maiores os esforços de nosso governo, as conquistas até agora obtidas somente terão reais resultados positivos, se assumidas pela maioria dos integrantes de nossa sociedade.

Da classe média tradicional, incrustada em preconceitos e individualismos cristalizados por 500 anos de nossa triste história, pouco há a se esperar. Mas é importante lembrar que grande parte dessa mesma classe média, hoje tão especuladora, individualista e mesquinha, não é a mesma nem vive como seus pais ou avós, conforme canta o verso da música de Belchior.

Pais ou avós dessa classe média que, hoje, ansiosamente busca imitar modos e trejeitos de uma elite que sequer conhece, eram os emigrantes italianos, alemães, japoneses, árabes, que foram os bóias-frias, os sem-terras da primeira metade do século passado. Esses de hoje, imitam e querem ser os mesmos que foram os espoliadores de seus antepassados. Marginalizam os pobres desse início de século XXI, da mesma forma que no começo do anterior seus avós foram marginalizados como “carcamanos”, “turcos”, “chucrutes”, e “bodes do olho espichado”.

Não podemos permitir que a roda patine neste mesmo atrasismo do passado. Não temos mais tempo para isso, pois há um continente e um mundo a ser resgatado para o futuro.

Hoje temos oportunidade ainda maior do que aquela propiciada pela emigração européia, quando recebemos os primeiros ideais socialistas através dos emigrantes europeus, para mudar os rumos de nossa história. Hoje temos uma nova classe média, e de brasileiros mesmo.

Cabe-nos formar o Homem Novo. Mas para isso, é imprescindível o apóio e incentivo à superação feminina.
Não para a mulher querer superar o homem ou com ele concorrer, como ardilosamente a entusiasmaram os capitalistas que viram nos anseios feministas dos anos 60/70, uma forma de explorar, por baixo custo, a boa vontade profissional de mulheres que tiveram suas sensibilidades atrofiadas, masculizando-se.

A essência da mulher é a feminilidade e exatamente esse é o elemento mais necessário para si mesma, tanto quanto para promover o Homem Novo. É a essencial feminilidade da mulher que impulsionará o homem a encontro de seu significado perdido.

Mas a mulher terá de superar-se a si mesma, para também reencontrar a autoconfiança reprimida pelo Deus da morte que negava o paraíso aos seus naturais instintos e sensualidade, ou resgatar a naturalidade desses instintos, perdida para os mercadores de almas às quinquilharias do Deus do consumo.

Por muitos milênios os deuses da prosperidade cozinharam a alma feminina promovendo um inferno no interior de si mesma. Para abrandar o calor das chamas desse inferno, gerações de mulheres abafaram o ardor da feminilidade, já despercebidas de terem em si a temperatura necessária e exata para o molde que garanta a posteridade da espécie.

A posteridade de uma sociedade que só será nova quando o Homem for Novo. E quem incentivará esse Homem para revolucionar-se a si mesmo, para enfrentar-se com a dureza necessária contra as mentiras e preconceitos que lhe foram arraigados, ao mesmo tempo ensinando-lhe a manter a ternura para compreender-se e compreender seus semelhantes, não será nenhum deus, herói, líder ou governo. Quem libertará o Homem Novo dos velhos engodos, só poderá ser sua noiva, sua irmã, a filha, a mãe, a companheira.
A Mulher Nova.

Raul Longo - Colaborador dos Grupos-Ambiente.




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A EXPLOSÃO HOSEIDE, O QUE É ? - Sensibilidade - Idealismo - Conhecimento - Infoera - Grupos-Ambiente - Blogs-Ambiente - Informação - Informática - Cibernética - Uma Nova Humanidade - Transformações no seio da humanidade - Adultos que mantiveram o seu idealismo







CONHECIMENTO HOSEIDE  -  O QUE É ?

 

"Conhecimento Hoseide" é todo conhecimento de homens e mulheres portadores de sensibilidade e idealismo que os torna aptos a perceberem antecipadamente os problemas que afetam o mundo, e ativamente agem para melhorá-lo.

Através do conhecimento inovador e alternativo os jovens serão os principais propulsores desta "explosão" que está acontecendo no seio da humanidade.

Porque os jovens?...Na juventude é onde as características de sensibilidade e idealismo expressam suas máximas forças. Nos dias atuais, o conhecimento proporcionado pela "infoera"--somado à sensibilidade e ao idealismo--é a causa que disparará a tão esperada e necessária revolução nos caminhos da civilização humana. Os jovens hoseides e os adultos e anciões que não se deixaram levar pelos "vícios tecnológicos" serão os precursores e elementos ativos desta grande e inevitável transformação.

Luiz A. V. Spinola, 2006


Sobre este assunto, leia também :

O que é infoera. O que são infoprodutos. A propriedade intelectual na infoera.


  
Conheça um dos muitos instrumentos através do qual o conhecimento inovador pode se disseminar entre os habitantes do planeta terra :
  
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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A DRÁSTICA MORTE DOS SETE GATINHOS - Crônica com analogia social e ecológica - Controle natalidade - Superpopulação Humanos - Literatura - Fim - Mundo - Auto extinção

A DRÁSTICA MORTE DOS SETE GATINHOS....
E A SUPERPOPULAÇÃO DOS HUMANOS



Chocante, acabrunhador, terrível !!....
Como compreender que um gato pode, sorrateiro, matar sete indefesos gatinhos, talvez seus próprios filhos ?.... e deixá-los em seu ninho ?

Há uma hora atrás escrevia no artigo “O meu prazer agora” : “A não ser que elas cavem suas próprias sepulturas”. “Elas”, as pessoas, quando me referia que não seria possível as pessoas acharem que “o mundo vai acabar em algumas décadas” e por isso estariam a esbanjar indevidos recursos materiais.

“A não ser que elas cavem suas próprias sepulturas” foi fatídico para a prolífica gata e seus filhotinhos.

Eles ainda estavam quentes, porém inertes sobre seu macio ninho quando eu e a “Mocinha”---a prolífica e jovem gata---chegamos, coincidentemente juntos. Eu costumava colocar a sua ração perto da ninhada. Eram sete....Pescoços rasgados, cabeças amassadas, o sangue vívido e quente ainda escorrendo, brilhante, por entre seus corpinhos mutilados. Que cena indescritível !! Como fotografá-la através de palavras ?.... Minha primeira reação, após o espanto inicial, foi transportá-los para uma superfície onde pudesse realmente fotografá-los. E, pasmo, descontrolado, disparei flashes sobre suas infelizes sinas.

A gata não sabia chorar, não sabia gritar. Sabia lamber. Lamber seus pupilos....Porém lamber era pouco, já que não mais os acariciaria e não os amamentaria com as oito nutrizes tetinhas de seu corpo físico. Eles iriam estar com ela, preservados, aguardando encontrarem-se no céu dos bichos. Minha maldade, ou minha bondade, deixou que ela comesse um deles. Ela encheu o seu estômago mas, ávida, queria mais. Queria guardar consigo os seus sete filhinhos. Queria ressuscitar seus espíritos, incrustando-os no corpo e no espírito dela....

Está agora a meu lado, enquanto escrevo, cheirando aqui e acolá para ver se encontra os outros filhotes. Eu a logrei. Depus os seis restantes em uma sacolinha e intuitivamente salguei-os, dependurando-os no galho de uma baraúna. Eu não queria que a evolução natural ensinasse gatos comerem gatos. Mas o “gato macho”, o matador, deixou os macios e delicados corpinhos, todos lá, no ninho ensangüentado. Não comeu nenhum deles. Como a mãe, não teria ele este direito ? Qual seria a sua função ?....Qual o motivo, para nós humanos, desta barbárie ? Controle natural da população de gatos ? Eliminação de possíveis concorrentes futuros ? Como um humano---forjado em leis, conceitos e regras tendencialmente rígidas no tempo--- deve entender esta lei e outras similares entre os animais ?....Como entendermos, nós, os seres humanos, que culturalmente estamos desenvolvendo características como a compaixão, a bondade, a solidariedade....? Racionalmente, sim, podemos compreender. Porém, nossa formação cultural é tardia para aceitar.

Que estranha e fatídica ressonância é esta, entre os animais e os seres humanos, que leve estes últimos---possivelmente de uma maneira inconsciente---a prepararem sua própria, sutil e capciosa eliminação, ou corte de excedentes, quando, sabedores de sua superpopulação, escolhem caminhos que poderão conduzi-los a graves crises ambientais e sociais ? O artigo anterior “O meu prazer agora” aludia a esta desoladora possibilidade. E se esta tendência---o inconsciente controle da natalidade---revelar-se verdadeira entre os humanos ?....Temos o poder da percepção e da razão. Podemos “remar contra a correnteza !!”

Luiz Antonio V. Spinola, 14 - março – 2008
Primeira publicação : o7 / agosto / 2008 - No grupo Ambiente Social
Segunda : em 11/10/2010 no blog Ambiente Social



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domingo, 10 de outubro de 2010

TODOS OS ARTIGOS E POSTAGENS DO "AMBIENTE SOCIAL - BLOG" - Página Inicial do Ambiente Social - blog

TODOS OS ARTIGOS E POSTAGENS :
 Em Ambiente Social - blog e no Jornal dos Grupos Ambiente - blog


1 - DEMOCRACIA PLENA, ELEIÇÕES E SISTEMAS REPRESENTATIVOS

2 - EM QUEM DEVO VOTAR ?

3 - O DIREITO DE AUTO DEFESA e....

4 - 28 DE ABRIL - O DIA DA EDUCAÇÃO

5 - A DRÁSTICA MORTE DOS SETE GATINHOS E A....

6 - A EXPLOSÃO HOSEIDE, O QUE É ?....

7 - A MULHER NOVA - Sociedades matriarcais - Tendências....

8 - O DIREITO À AMPLA DEFESA - QUARTA AUTO DEFESA

9 - O DIREITO DE SER AVISADO OFICIALMENTE SOBRE
 QUALQUER EXECUÇÃO JUDICIAL

10 - TERCEIRA AUTO DEFESA
       O direito à ampla e plena defesa

11 - COMUNICADO URGENTE À MÍDIA DE SÃO CARLOS
       Arbitrária reintegração de posse

11 - PRIORIZAR ALUNOS AFRO-DESCENDENTES APENAS ?

12 - AÇÕES MAIS RADICAIS PARA REFORMAR E TRANSFORMAR A HUMANIDADE

13 - A MULHER E A LIBERDADE

14 - ECONOMIA COMPARTILHADA


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As Manifestações Populares e a Ética dos Brasileiros

CONVULSÕES SOCIAIS NO BRASIL E NO MUNDO

MODELO DE ASSENTAMENTO ECOLÓGICO - Ecovila Agrícola

DESASTRES NATURAIS, SOCIEDADE, FÉ CRISTÃ E MEIO AMBIENTE


ARBITRÁRIA REINTEGRAÇÃO DE POSSE EM SÃO SIMÃO-SP


FUNDAMENTOS DA CONCEPÇÃO DE REDE 


A PARCIALIDADE OU IMPARCIALIDADE DE JULGAMENTO DO PODER JUDICIÁRIO


O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, ZUMBI E A LUTA PELA VERDADEIRA LIBERDADE

HUMANIDADE EM TRANSFORMAÇÃO


O DIREITO A ESPAÇOS PÚBLICOS AMPLIADOS PARA BAIRROS DE PERIFERIA

A LEGÍTIMA PROPRIEDADE E O DIREITO À GUARDIANIA DA TERRA

POR UMA NOVA HUMANIDADE

MODALIDADES DE ECOVILAS

O DIA DA EDUCAÇÃO

OS DIREITOS DOS ÍNDIOS

PODERES DOMINANTES QUE SE ALTERNAM E O COMPROMETIMENTO DO PODER JUDICIÁRIO


AS REDES SOCIAIS E A DEMOCRACIA

UBUNTU - Cidadania Planetária da União






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28 de abril - O DIA DA EDUCAÇÃO - Educação formal - não formal - informal - Elemento de formação cultural - Origens da educação - Ensino público - Possível desenvolvimento humano - Lagoa Real - BA.

 O DIA DA EDUCAÇÃO - 28 de abril
No Brasil, inclusive, em 28 de abril comemora-se o DIA DA EDUCAÇÃO.



A educação é a base da civilização humana. É através dela que conhecimentos, valores e costumes são passados de uma geração a outra e seu acúmulo, na história, é sempre crescente.

Quando se fala em EDUCAÇÃO logo vem à mente as escolas. Porém, a educação é um elemento de formação cultural bem mais amplo. Na verdade, ela aparece desde as mais remotas origens da espécie humana, mesmo em épocas que antecederam o desenvolvimento da inteligência. De fato, os cientistas constatam que os animais também são dotados da capacidade de ensinar. Além de sua base de instintos, a maioria dos animais transferem um certo grau de costumes através de métodos de aprendizagem.

As escolas são os principais agentes da EDUCAÇÃO FORMAL. Classificam-se assim, pois são instituições organizadas e "formalizadas" com o intuito direto de transmitir principalmente conhecimentos.

A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL é o conjunto de valores e conhecimentos transmitidos por instituições humanas extra escolares. Desta forma, veículos de comunicações, ONGs, partidos políticos, religiões ou quaiquer outros movimentos sociais são agentes que transmitem, principalmente, conceitos, idéias e valores. Todos os conhecimentos instrutivos e métodos, transmitidos pelos agentes da EDUCAÇÃO NÃO FORMAL são, mesmo que imperceptivelmente, elementos de transmissão de ideologias ou de formas alternativas de se compreender a realidade, desde que estes são a prioridade desta forma de educação.

A EDUCAÇÃO INFORMAL é o conjunto de valores e conhecimentos transmitidos naturalmente entre pessoas, famílias e grupos sociais, e que não se relacionam diretamente com nenhuma instituição humana. Desta forma, a educação familiar, por exemplo, embora embasada em valores morais e espirituais advindos de instituições, é considerada uma EDUCAÇÃO INFORMAL. As práticas dos povos primitivos ou tradicionais também são uma forma de educação informal.
Na verdade, a EDUCAÇÃO INFORMAL é a precursora que origina e sustêm as educações não formal e formal.


Há uma constante interação entre "as diversas formas de ensino e aprendizagem das sociedades humanas". As bases dos conhecimentos e valores originam-se isoladamente e no seio das iniciativas de indivíduos e grupos sociais---A EDUCAÇÃO INFORMAL. Estas novas alternativas, se aceitas, são absorvidas por outros indivíduos, famílias e grupos, que as organizam e as institucionalizam agregando-as a formas também organizadas e institucionalizadas da estrutura social---A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL. Uma constante transposição de novos conhecimentos e valores ocorre dos agentes de educação informal e não formal para as bases de informações transmitidas pelas escolas---A EDUCAÇÃO FORMAL.

O processo educativo é, pois, uma realidade única, sequenciada e sincrônica. Cabe aos educadores---de todas as formas de educação---desenvolverem esta consciência e agirem adequadamente neste sistema, conforme suas realidades particulares. O educador consciente e crítico torna-se, então, um ator de manutenção ou transformação requeridas pelas sociedades humanas. Há realidades físicas, conhecimentos e valores antigos que devem ser preservados---são os alicerces culturais da humanidade. E há conhecimentos e valores que, no devido tempo, devem ser inovados e transformados para possibilitar o normal, saudável e possível desenvolvimento humano.

Luiz Antonio Vieira Spinola, 22 de abril de 2008
Lagoa Real - BA


 
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

SEGUNDA AUTO DEFESA E MANIFESTO POPULAR DOS OCUPANTES DE ÁREA DE TERRA DA USP-CAMPUS II EM SÃO CARLOS-SP - O direito de auto defesa - Direitos de todos - A facilidade para aquisição de terra e de moradia - Obrigação do estado - Poder jurídico e poder administrativo atenderem imediata e diretamente os requerimentos expostos, sem subterfúgios com o alojamento provisório das famílias - Julgamento com imparcialidade - Que primeiro o estado cumpra com suas obrigações para depois cobrar dos cidadãos - Não atender às reinvindicações justificando não estimular novas ocupações é um ato indevido de negação ao cumprimento dos direitos humanos - O governo não dá, ele financia - É difícil entender e atender os que requerem financiamento facilitado de casa ou terra ?....

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O DOCUMENTO ABAIXO DE AUTO DEFESA E MANIFESTO POPULAR É COMPOSTO POR PARTES DO SEGUNDO RECURSO ENCAMINHADO AO MERITÍSSIMO JUIZ DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA DE SÃO CARLOS-SP

Em azul : adições posteriores
Em verde : orientações sobre o texto


O direito de auto defesa

Requeremos, em primeiro lugar, que V. Exª. nos conceda o direito de auto defesa, advindo da óbvia interpretação dos direitos consagrados na Constituição Federal, quando garante ao réu o direito à ampla e plena defesa. Ora, entendemos com clareza,  e cremos que V. Exª. também, que não há plena defesa se o réu não poder optar por defender-se sem a necessidade de representação, com representação assistida ou com representação conjunta .
Estamos representados pelo Dr.... que está ciente desta nossa atitude complementar em requerer que V. Exª. adicione ao processo este documento e atenda aos nossos requerimentos, em ato de auto defesa e representação conjunta.
Em 22/10 : Observa-se que os meios jurídicos apropriaram-se do amplo significado das palavras constitucionais interpretando a ampla defesa como o direito de todo cidadão de ser representado por um advogado, mesmo que gratuitamente. Com certeza esta interpretação é parte do significado "amplo", ou "pleno", quando o Estado garante assistência jurídica aos menos favorecidos. No entanto, esta visão circunscrita ocultou o verdadeiro sentido da intenção constitucional que, certamente, expressava o direito de auto defesa através de todos os meios e em todas as circunstâncias. Ora, de fato, se o réu não poder optar por defender-se diretamente, restringe-se o direito de auto defesa.
Óbvio está que também é obrigação do Estado esclarecer a todos os pretendentes à auto defesa que, na maioria dos casos, é-lhes conveniente a representação por um profissional habilitado, especialmente quando o réu manifestar dificuldade financeira em arcar com os honorários e custas do processo.
Outra obrigação do Estado, quando o direito à plena defesa é reconhecido, é adaptar a estrutura do sistema jurídico a esta nova realidade, possibilitando meios facilitados de acesso aos processos e atos jurídicos, além de orientações dedicadas aos réus que optarem por exercer seu direito de auto defesa.
(cont)....
Este é um texto editado dinamicamente. Participe com sua opinião, mesmo que contrária, e ajude a construir conhecimento. Faça o seu comentário no final. Em alguns casos os comentários serão adicionados ao texto.


Primeira parte - Defesa de princípios e direitos

Vimos, através do presente documento, em ato de auto defesa e Manifesto Popular, requerer, mais uma vez, de V. Exª., que se digne a considerar e a atender nossas necessidades e direitos, atento às reivindicações abaixo expostas, bem como às bases espirituais, filosóficas e morais que nos impulsionam, origem, com certeza, dos fundamentos que inspiram as leis e as decisões jurídicas.


Defendendo também todos brasileiros e cidadãos do mundo

Sabemos que, na verdade, não estamos a defender somente nossos próprios interesses, mas sim os de milhares de brasileiros e outros cidadãos do planeta que não tem seus direitos fundamentais reconhecidos e atendidos pelas autoridades e, em parte, pela própria sociedade. Daí a relevância desta questão, visto que, se V. Exª. reconhecer nossos direitos e decidir a nosso favor estará predispondo e instando outros juizes e instâncias a fazerem o mesmo. Eis uma oportunidade ímpar.... decisão judicial que reoriente e reposicione a Justiça em relação à obrigação do Estado em suprir os indivíduos e as famílias com recursos básicos que atendam plenamente seus dignos direitos de TERRA E DE MORADIA, além de outros.


Dois tópicos nos meios  jurídicos e administrativos que parecem institucionalizados, porém....

Há dois tópicos que parecem institucionalizados nos meios administrativos e jurídicos, porém pretendemos expor a sua clara invalidade.
O primeiro diz respeito à prática corrente, por parte de administradores e juristas, de não atenderem às reivindicações de ocupantes de terra ( ou de outros que se mobilizam e se manifestam para a conquista de quaisquer direitos),  mesmo que suas reivindicações sejam plenamente plausíveis de cumprimento, com a justificativa - ou melhor dizendo, desculpa ou álibi - de não estimular a recorrência das ocupações por outros. Desta forma, agrega-se, indevidamente, às técnicas de intimidação e cerceamento das liberdades, o ato de negação aos direitos lídimos requeridos.
Este posicionamento administrativo ou jurídico está em grave desacordo com os objetivos precípuos da administração pública e do poder judiciário, quais sejam o Mandado para que Administradores cumpram os direitos a uma vida digna, livre e plena dos cidadãos, conforme há muitos anos reconhecidos pela Declaração dos Direitos Humanos e pela Constituição Brasileira.
Outra provável justificativa para não atender por completo as necessidades expostas advindas de ocupações e manifestações é a de que o poder administrativo não tem recursos suficientes para oferecer empréstimo social às milhares de famílias que não possuem terra ou casa própria. Aparentemente, desta incumbência, as administrações municipais, estaduais e federais se eximem, pois os "parcos recursos disponívies", assim dizem, devem ser distribuidos de forma justa, não podendo pequenos grupos de famílias serem privilegiados. "Aparentemente", com certeza, pois indivíduos ou famílias que se expõem a adversidades físicas, ao opróbrio de setores da sociedade, às intimidações de contendores e às ameaças da espada da justiça provam, com toda a clareza, que são os primeiros a merecerem o imediato atendimento a seus direitos. Tranquilizem-se : estes indivíduos e famílias que tem o desprendimento e a coragem para suportarem dificuldades e perseguições, estão incluidos entre um número seleto e raro de privilegiados seres humanos. Outros não os seguirão com facilidade.
Há, sim, recursos de sobra para que o direito à terra e à moradia sejam concedidos de imediato aos ocupantes ou manifestantes, além de existirem, com certeza, recursos para o atendimento aos direitos de todas as famílias de menor poder aquisitivo que pagam aluguel, moram de favor em casinhas de fundo, plantam ou criam animais em espaços públicos, vigiam chácaras ou arrendam terras.


Os termos "famílias de baixa renda" e "invasores" denotam preconceito

Já está passando o tempo para que as expressões jurídicas, as verbalizações administrativas e as veicúlações da mídia valorizem dignamente todas as classes sociais, deixando de tratá-las de "famílias de baixa renda" - que carrega conotação pejorativa e até mesmo preconceituosa - para citá-las como "famílias de menor poder aquisitivo" ou honrada expressão similar. Da mesma forma, cognominar precipitadamente de "invasores" famílias que aproveitaram  espaços públicos ociosos para o seu sustento e moradia é expressão indevida, que também denota preconceito social. O termo não preconceituoso é "ocupação".


A situação deve se inverter

Os poderes constituidos, nestes casos, devem fazer cumprir os princípios de justiça social para que exemplifiquem dignas ações a outros, assim como se condenam e se prendem criminosos, dentre outras razões, para que sirvam de exemplo a fim de que outros não pratiquem os mesmos atos. Em outras palavras : A Justiça deve acatar e fazer cumprir os "direitos humanos já reconhecidos mas não plenamente cumpridos" para que tais direitos sejam firmados e concretizados em todas as instâncias, circunstâncias e localidades, assim como condena (a Justiça) infratores de leis em "atos delituosos não plenamente aclarados" para que se firme sua validade e se desestimule a sua repetição em todos os âmbitos e localidades.


O que é requerido é o Estado financiar, e não dar

Ademais, o que se requer é que o Estado propicie e facilite o empréstimo financeiro para a compra de casas ou terras de forma ampla e irrestrita, oferecendo possibilidades ao cumprimento das necessidades específicas de todos os indivívuos, famílias ou corporações sociais. Nada se requer de forma gratuita. Isto é difícil de entender e atender ?....Qual, então, o entrave que obstrue e dificulta esta nobre ação dos poderes constituidos ?.... Não está passando do tempo, já transcorridos 10 anos deste novo século, para que a sociedade e as autoridades implementem os justos princípios e direitos sociais ?....


O posicionamento parcial e polarizado não é válido

O segundo tópico diz respeito ao tendente posicionamento parcial dos magistrados em eximirem-se de exercer justiça completa em relação aos reclames de ambas as partes.
Embora este posicionamento polarizado seja compreendido por uma necessidade de se limitar o âmbito dos julgamentos, dado o elevado número de processos - a fim de viabilizar e agilizar os atos jurídicos - entendemos, especialmente quando a parte olvidada se relacionar a direitos fundamentais que, de nenhuma forma, a desatenção aos seus requerimentos deva se justificar. Mais uma vez, é obrigação do Estado propiciar uma estrutura jurídica adequada e forte objetivando a que seus atores cumpram devidamente com suas funções. Ao invés de relegar a concretização dos direitos dos citados à "solicitação à prefeitura para que os aloje, mesmo que provisoriamente, em local adequado" e de omitir suas manifestações de gosto e necessidade da terra, um julgamento imparcial e não polarizado emitiria dois Mandados : um de reintegração de posse à parte autora e outro de preenchimento imediato das necessidades de terra e moradia aos citados.


A missão dos magistrados é traduzir em atos de justiça....

Cremos que a missão dos magistrados seja, prioritariamente, entender e traduzir em atos de justiça os direitos e deveres que não estão plenamente explicitados nas leis vigentes. De outra forma, computadores cumpririam a contento a função de arbitrar se devessem apenas analisar, em suas bases de dados, se existem, ou não, leis que defendam ou regulamentem os requerimentos das partes.
Não é somente de vontade política que a sociedade precisa para ver realizados seus bons projetos e seus desejos de verdadeira justiça social. É também de vontade jurídica.
Entendemos, pois, que a imisção do poder judiciário nos deveres administrativos não é uma indevida ingerência em área que não lhe compete. É, sim, ao contrário, o exercício do seu poder de julgar e determinar ações de implementação de direitos ou de medidas corretivas.


Entendendo melhor o direito à terra e à moradia

Em atenção ao Manifesto Popular, há, ainda, a necessidade de aclarar o direito que todos os seres humanos tem de acessarem um merecido pedaço de terra ou de receberem facilidades de empréstimo para a aquisição de casa própria ?....
Os escravos de antigamente não tinham estas necessidades, pois seus senhores preenchiam-nas com senzalas, e para alguns que bem se comportassem, com casinhas para suas famílias. Embora fossem forçados a trabalhar na terra, participavam dos seus benefícios e recebiam a alimentação básica de acordo com os costumes daquela época. Sua liberdade e dignidade eram cerceadas e suprimidas pela aceitação, por parte da sociedade que os escravizava, de que tal condição era lídima naturalmente, permitida por lei e até mesmo aprovada pela religião. Será que hoje mudou muita coisa ?....Os escravos hodiernos deixaram de receber surras físicas mas, em contrapartida, perderam suas casas, suas senzalas e seus alimentos. Hoje, eles tem de trabalhar duro, da mesma forma que antes, porque senão vão apanhar das agruras, desconfortos e inseguranças infligidas por um sistema capitalista e classista que insiste, lamentavelmente, em prolongar no tempo os seus desejos de supremacia, exploração e controle.


Todos os setores, atividades e profissões são imprescindíveis ao sucesso econômico

É possível um empresário exercer as suas atividades de decisão e direção sem a ajuda de um competente assessor ? É possível um assessor exercer a contento a sua função sem um experiente secretário ? É possível os secretários assumirem suas tarefas sem o apoio dos escreventes e ajudantes ? É possível os ajudantes trabalharem com dedicação e dignidade sem o trabalho dos operários da limpeza e dos lancheiros ? É possível todos os acima (já contados entre milhões) oferecerem seus dotes ao trabalho produtivo de empregados e empregadores sem que catadores individuais ou cooperados em materiais de reciclagem exercessem seu importante papel de limpar os ambientes de produção e os públicos, além de encaminharem os diversos materiais para o reaproveitamento e a reciclagem ?....
Não !! Não é possível. Todas as funções na sociedade produtiva são dependentes umas das outras e a atuação de todas é imprescindível ao resultado positivo a ser conquistado. Empresas, profissionais liberais, autônomos e coadjuvantes, formais ou informais, constituem um todo humano-econômico, interdependente, onde a falta de qualquer setor ou função, por mais simples que seja, inviabiliza o potencial máximo de expressão do que os governos pomposamente proclamam de Produto Interno Bruto.
Ora, se todas as classes produtivas são necessárias para a positivação deste processo, claro está a razão pela qual também todos devam participar dos benefícios diretos e indiretos, e dos lucros, da Máquina Produtiva. De outra forma, a sociedade estaria defendendo a liberdade, ou melhor, a libertinagem para que as classes detentoras do capital e do controle explorassem as classes que representam as funções mais simples, porém não menos importantes. Infelizmente, é esta "outra forma" que ainda impera.


Tardam em reconhecer e implementar os direitos humanos fundamentais

Difícil é a compreensão ao fato de que, após o reconhecimento mundial de tantos direitos humanos básicos, a sociedade, através deosseus corpos representativos, administrativos e jurídicos, continue a tentar a perpetuação da negação destes direitos às classes menos privilegiadas, notadamente o direito à livre escolha, com opções propiciadas, de onde morar, como morar e as facilidades de obtenção e acesso de casa e terra.



Segunda parte - Requerimentos práticos

Requeremos, pois, Meritíssimo, que....a seguir :


1 - Desde o início não nutrimos interesse em apossar a área em questão.
     Que - visto em nenhum momento, desde os primeiros dias da ocupação, ou em exposições de necessidades ante este juizo, termos alimentado ou requerido o direito a esta área de terra, sabedores da posse por parte da USP - V. Exª. cancele o Mandado de Reintegração de Posse. O envolvimento judicial seria desnecessário caso realmente os autores USP e seus advogados nos procurassem para resolvermos a questão amigavelmente. Se a autora - USP - não retirar a falsa afirmação de que nos procurou para acordo amigável, que V. Exª. a intime a provar este pretenso fato....

2 -  A autora deve provar suas acusações de que roubamos....
      Que, como seres humanos civilizados e dignos, nos sentimos profundamente feridos pelas incautas, levianas e falsas acusações de que roubamos arames e mourões da propriedade da autora, a USP. Que V. Exª. a intime a....

3 - Prazo hábil para que sejamos atendidos de imediato e diretamente
     Que V. Exª. conceda o prazo necessário até que os órgãos públicos relacionados - Prefeitura, INCRA ou outros - resolvam por completo os vossos ordenamentos, caso os emita, o que encarecidamente pedimos.
Certamente a USP,  após deixar esta área sem utilização por vários anos, não irá abruptamente apresentar um projeto para implementação urgente, visto tal área estar planejada por seus arquitetos e diretores para interseccionar universidade e comunidade, com a construção de espaços que possam ser compartilhados.
A prorrogação de alguns poucos meses em nada afetará a concretização, se realmente houver, deste louvável projeto.

4 - Convite aos diretores da USP e ao governador para se anteciparem.... 
Outra melhor e meritória possibilidade que se descortina é a cessão ou devolução desta área à Prefeitura de São Carlos, a fim de atender às necessidades de espaços públicos essenciais e comunitários, específicos e insubstituíveis, aos moradores do bairro adjacente Santa Angelina e outros.
Neste sentido a USP e o governador do estado de São Paulo estão sendo convidados a se anteciparem nesta digna e meritória ação de reconhecimento das necessidades humanas e coletivas das famílias que residem no entorno das instalações do Campus II. Com certeza a USP não teria problemas em comprar ou receber doação de outra pequena área de terra - se realmente o necessitar, pois a gleba destinada às suas futuras instalações já é bem grande - em sua região oeste/noroste, onde confronta com plantações de cana.
Complemento deste item : A solicitação de permanecermos neste reduto até que nos mudemos para locais definitivos prende-se ao direito inerente citado no próximo requerimento e ao atendimento ao direito de estabilidade do lar, especialmente no que se refere a impedimentos e transtornos no trabalho, na segurança psicológica familiar e na estabilidade educacional dos menores envolvidos. Estes direitos seriam suprimidos e consequências negativas adviriam se nos alojassem em albergues ou casas provisórias.


4 - Concessão imediata do direito de receber financiamento social para casa
     E ainda, Meritíssimo, que V. Exª., em atenção e sintonia com os princípios e direitos expostos na primeira parte, determine que a Prefeitura de São Carlos, ou outro órgão que administre o acesso aos projetos de casa popular, nos financie - dentro dos moldes da política habitacional  para casas populares - moradias aos solteiros e famílias que aqui se encontram, que estiverem aptos para o financiamento e que, principalmente, optarem com liberdade por esta aquisição.


5 - Concessão imediata do direito de receber financiamento social para a compra de terra, dentro dos planos da reforma agrária
     Finalmente, reiteramos o prazer, a necessidade e o DIREITO DE TERRA, conforme já expostos na Primeira Auto Defesa e inclusa nos autos do processo, a fim de que, neste último requerimento, V. Exª. determine ao INCRA que assente os interessados e aptos à terra, diretamente, em muito prováveis vagas nos assentamentos existentes no município de São Carlos. São três, segundo temos conhecimento.
Os que optarem por um pedaço de terra - direito do cidadão e obrigação do Estado - não perdem, cremos, o direito à moradia na cidade, visto tal condição ser condizente com os devidos subsídios estatais à realização plena dos direitos humanos, inclusive da felicidade dos seus indivíduos ou famílias.
Uma opção ligada a esta condição de terra e moradia na cidade parece estar iminente em concretizar-se através de um projeto do INCRA a ser implementado em área de terra a ser comprada da Prefeitura de São Carlos. Trata-se, segundo temos conhecimento não oficial, de projeto para a agricultura urbana denominado de AGRO-ECO-URBI ou designação similar, com o objetivo de oferecer lotes menores para plantios e criações a agricultores que residam na cidade. Este projeto parece-nos plausível e louvável, inclusive porque tenciona proteção especial ao meio ambiente, a complementação de renda familiar e o retorno do homem ao campo. No entanto, é um projeto e, neste momento, ainda não nos possibilita garantias de sua realização. Estamos, se se confirmar, dispostos a aguardar, caso o INCRA não nos ofereça outra opção.



"QUE O O ESTADO CUMPRA COM SUAS OBRIGAÇÕES ANTES DE COBRAR A MESMA ATITUDE DE SEUS CIDADÃOS" !!



Nestes termos expressamos nosso respeito a V. digníssima posição e, em aprêço, aguardamos vossas justas decisões,

São Carlos, 08 de outubro de 2010,

Luiz Antonio Vieira Spinola e outros....

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