quarta-feira, 29 de agosto de 2012

ARBITRÁRIA REINTEGRAÇÃO DE POSSE EM SÃO SIMÃO-SP - Poder judiciário da cidade dificulta réus a consultarem o processo - Impedimento ao exercício da ampla defesa - Itesp, Instituto de Terras do Estado de São Paulo, promete e não cumpre - Possível autoridades estarem forjando reintegração de posse - Ilegal e anti-constitucional desrespeito aos direitos humanos - Sem terra são compelidos a aceitarem assentamento em condições precárias de ocupação - Sem água, sem moradia, sem indenização por 15 anos de construções e atividades agrícolas - Um estudo de caso quanto à negação do direito de auto-defesa, plena-defesa e ampla-defesa - Estudo de caso de opressão dos representantes das classes ricas sobre os mais pobres.



Em um caso similar, em São Carlos-SP, há
mais de 15 anos o poder público doou fazenda
 para a Volkswagen e em 2012 tarda em
 possibilitar assentamento ecológico possível
 em área de ricas nascentes.

IMPROCEDENTE E ARBITRÁRIA REINTEGRAÇÃO DE POSSE....


Em São Simão, interior do estado de São Paulo, estão ocorrendo incursões gradativas, e muito provavelmente arbitrárias, reintegrações de posse sobre os sem-terra que moram há 15 anos na fazenda Santa Maria, de propriedade do estado.


Após várias táticas, tais como falsas promessas de condições melhores de produção rural e de vida, de ostentação ilegítima de força militar, dentre outras, seis famílias ainda lutam corajosamente contra esta ARBITRÁRIA REINTEGRAÇÃO DE POSSE.

A reintegração forçada realmente ocorreu !!
Esta é a casa de alvenaria (inacabada) que

 você verá destruída na próxima foto. 
Ao invés de promover uma justa
 indenização depredam as propriedades
 e bens construídos ao longo de 16
 anos e jogam as famílias em um
 lote cheio de mato.
A destruição da casa principal se inicia....Após,
serão derrubadas pelas máquinas a cozinha, dois
barracões e vários estábulos de animais
Segundo temos conhecimento, a fazenda sempre serviu a interesses particulares de especuladores de madeira, muitos, provavelmente, relacionados às classes ricas e dominantes que defendem seus excusos interesses através dos governos paulistas da direita. São, pois, duvidosos os objetivos do estado em transformar a área em questão em uma estação de pesquisas, existindo outras áreas que muito se prestam a esta finalidade. 

A senhora Luiza , uma das injustiçadas, declara ...."Eles induziram mais de cem famílias a sairem de seus lotes maiores e com muita água, com falsas promessas, para serem assentados em uma área sem água e de menor tamanho. Também não deram qualquer indenização pelos prejuízos sofridos ao longo destes 15 anos de construção de casas, currais, plantações e criações. Nossos filhos nasceram e se criaram nestas terras...."

Em meio a poeira e fumaça, tudo vai abaixo.
Infelizmente o poder judiciário de São Simão coaduna com a ação opressiva do estado de São Paulo "tucano", quando impede que a Sra Luíza e seus representados exerçam o seu legítimo direito de auto defesa, negando-lhe o acesso, na maioria das vezes, aos autos do processo 537, de 1996. Configura-se este comportamento das Meritíssimas Juízas, um patente desrespeito ao direito da plena defesa.

Em vão, a proprietária tenta suplicar que parem.
 Às vezes, eles fazem pequenas concessões.
O Itesp, órgão do estado de São Paulo que deveria estar realizando uma verdadeira e justa reforma agrária, interpõe-se neste processo como um defensor do poder econômico quando vende lotes a pessoas de maior poder aquisitivo, privando as mais débeis financeiramente de seu merecido acesso à terra. O Itesp também falseou a transferência dos acampados quando lhes prometeu recursos adequados que não foram cumpridos e alardeou falsamente que proveu o novo assentamento com água o suficiente para mais de cem famílias. Ora, não são famílias de periferia de cidade, mas são produtores rurais que necessitam de muito mais que 3 caixas de água de 5.000 L.
A Sra. Luíza e mais outras cinco corajosas famílias, nesta data de 29 de agosto de 2012, suplicam socorro a advogados de causas sociais ou a instituições dos direitos humanos que lhes possam defender das últimas pressões sofridas, como rondas de policiais e vôos de helicópteros, além de outras táticas excusas para que as famílias restantes saiam sem a necessidade de ARBITRÁRIA REINTEGRAÇÃO DE POSSE. Logicamente, os poderes constituídos relacionados tem medo da opinião pública nacional.

Luiz A. V. Spinola - 29 de agosto de 2012


Fotos Picasa


O arbitrário julgamento e reintegração forçada lastimavelmente ocorreram.
Veja em
"O DIREITO À INDENIZAÇÃO - MANIFESTO POPULAR DE...."


Saiba mais sobre este caso em
NEGAÇÃO DO DIREITO DE AUTODEFESA - Defensoria Pública de Ribeirão Preto, OAB e Poder Judiciário de São Simão são acusados de negar advogado alegando ser um processo administrativo. Ou estes devem ser condenados ou a reintegração de posse não é legítima. 
No Jornal dos Grupos-Ambiente - blog - Em 01 set 2012


OPRESSIVA REINTEGRAÇÃO DE POSSE - O poder judiciário deveria proteger os bens conseguidos com o suor do trabalho e não a terra que ninguém fez nada para que existisse - Um centro de pesquisas poderia muito bem ser implantado em outra fazenda do estado de São Paulo
No Jornal dos Grupos-Ambiente - blog - Em 06 set 2012

Adicionado em 10 set 2012 
Amanhã partirão para a Fazenda Santa Maria, em São Simão-SP, advogados e grupos de sem terra e ativistas sociais. Esperamos que tudo termine bem, pois o STF possibilitou em março deste ano um instrumento jurídico que pode prorrogar a operação de reintegração através de medida cautelar. Depois, haverá tempo para averiguar possíveis desmandos na condução do processo em questão. Esperamos que verdadeira justiça seja feita a ambas as partes e se defenda prioritariamente os direitos humanos, dentre os quais o principal é o direito ao acesso facilitado à terra a famílias de menor poder aquisitivo. 




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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

PRECONCEITOS EM RELAÇÃO AOS SEM-TERRA - Eliminando preconceitos arraigados indevidamente na sociedade, pela classe dos ruralistas e pelas elites, contra os sem-terra - Requerimento para que os acampados tenham prioridade no preenchimento de vagas em assentamentos - Ano 2002 e ano 2012 - Acampamento do MLST em São Carlos-SP - Trinta famílias lutando por seu direito à terra - Vagas em Pradópolis - As famílias dos sem-terra desejam morar ao lado de seus animais e plantações - Declarações pessoais de Luiz Spinola como um novato acampado em 2002 e observador imparcial da verdadeira natureza dos sem-terra e dos preconceitos ainda reinantes em muitas classes da sociedade - Dirimir, eliminar, diminuir preconceitos e dificuldades de aceitação e implementação do direito à terra e da reforma agrária - Dez anos depois, em 2012, ocorre uma situação similar : um outro grupo, em São Carlos, recebe convite do INCRA para ocuparem vagas no mesmo assentamento de Pradópolis !!

"O cálido amanhecer ou o pôr do sol reconfortante....",
valorizados pelos acampados sem-terra.
Aguarde melhorias na formatação e adição de mais fotos

Interessante coincidência !!
O texto a seguir é uma carta escrita em 2002 e enviada à Comissão de Julgamento e Seleção para preencimento de vagas existentes no assentamento de Pradópolis, pequena cidade próxima a Ribeirão Preto-SP. Após 10 anos, em 2012, o INCRA oferece às famílias de um outro acampamento, o  Acampamento 3 de Janeiro e a outros acampados em São Carlos-SP, a oportunidade de preencherem vagas existentes no mesmo assentamento - Pradópolis !!
Obs : Na época, em 2002, foi feita uma nova edição, melhorada, a qual foi encaminhada com 20 cópias aos presentes na reunião da Comissão de Julgamento e Seleção, em Pradópolis-SP. Infelizmente, esta nova edição ainda não foi encontrada.
O texto abaixo apresenta pequenas melhorias em relação ao original encontrado, escrito à mão.

Meses finais de 2002 :
IMPRESSÕES DE UM NOVO ACAMPADO
Expresso-me por escrito, através desta, para expor-lhes minhas primeiras impressões como novato acampado. (Aproximadamente 30 famílias, coordenadas pelo MLST, ocuparam a beira da rodovia que liga São Carlos a Itirapina, em frente às terras públicas arrendadas à Ripasa, produtora de Eucaliptos. Luiz, a Sra. Oclebis e filhas, eram a única família de São Carlos. As outras vieram da região noroeste e oeste do estado de São Paulo.)
Venho da cidade, como muitos daqui, deixando um passado de inteira participação nos objetivos da sociedade brasileira. Quando aqui me instalei, juntamente com minha atual família, ocorriam-me várias conclusões que logo se confirmaram.
Eu vinha de fora e a visão que me passavam os meios de comunicação era de que "o povo dos sem-terra" eram pessoas desordeiras, preguiçosas e que não respeitavam os direitos alheios. Desconfiei destas falsas noções e logo certifiquei-me :

DESORDEM E DESRESPEITO, QUASE NADA
De mais de mil acampamentos, talvez nem 1% do total, apresentavam problemas de desordem e desrespeito à propriedade alheia. Porém, a mídia sempre estava lá, à espreita de um mínimo deslize de alguém ou de um grupo dentre a grande maioria ordeira e respeitadora dos vários movimentos sem-terra. Mesmo os de ações mais ousadas e radicais, poucos entre eles partiam expontaneamente para atitudes socialmente condenáveis.
Mas a visão que os meios de comunicação me apresentavam (e a todos os brasileiros) era diversa daquela que existe na realidade. Infelizmente, ainda é assim.

UM DOS PRIMORDIAIS DIREITOS : A TERRA
Confirmei, desta forma, aqui, em convivência com os mesmos, que os sem-terra, em quase sua absoluta maioria, desejam mesmo é um lugar no campo onde possam, em tranqulidade, morar, cultivar seus próprios alimentos e criar seus animais produtivos e de estimação. Desejam também, cada um a seu modo, ajudar na luta para que a sociedade e as autoridades reconheçam um dos primordiais direitos do ser humano. : "O direito à Terra", onde se viver e trabalhar, assim como o seu insubistituível direito ao ar, à água e à luz do sol, dons de Deus e da natureza.

PESSOAS SIMPLES QUE VIVENCIAM A AUTO-PRODUÇÃO
Outra confirmação para a qual eu necessitava reafirmar era a de que os sem-terra eram pessoas de natureza simples, mesmo aqueles que provinham de camadas sociais mais elevadas. Buscavam, embora sem qualquer sistematização, a realização dos princípios da "auto-produção". É o que comumente, entre os ambientalistas, se chama de auto-sustentabilidade. A auto-produção, para o indivíduo e para a família, representa as bilhares de celulas, sem as quais a tão propalada sustentabilidade de grupos sociais mais numerosos não se concretiza. O conceito de sustentabilidade, compreendido em toda sua gama de aplicação passa, necessariamente, pelo princípio da auto-produção do indivíduo e da família. Sem esta base, celular e estruturante, não é possível a realização de qualquer projeto de sustentabilidade que se integre à natureza holística deste conceito. (podem ter sucesso somente projetos isolados).
Em conclusão : Os sem-terra não são uns "mandriões indolentes", como muitos em seus fumacentos e barulhentos veículos nos entitulam, gritando covardemente da rodovia.

UMA VIDA SIMPLES E EM SINTONIA COM A NATUREZA
"Nós vamos buscar a lenha;
nós a rachamos;
suas achas são acomodadas em um canto;
nós acendemos o fogo, energia que vem gratuita do céu....
e com ele cozinhamos nossos alimentos.
Fazemos nossos sabões e esquentamos a água com a qual tomamos banho.
A maior parte da água que usamos é coletada da chuva, outra graça do céu !!
Nós improvisamos nossa luz noturna com latinhas de alumínio e óleo de cozinha usado.
As nossas casas são simples, de lona ou de madeira reutilizada ou pouca cortada, sem danificar a mata, mãe e vizinha. A madeira, outro dom do céu e do sol, nas árvores frondando...."

OS SEM-TERRA POLUEM MUITO MENOS
Com estas e muitas outras ações do dia a dia, nós poluimos centenas de vezes menos que as pessoas das cidades.
Dispensamos o excesso de indústria, juntamente com toda a sua parafernália, pois felizmente não temos recursos para tal, embora o sol cálido da manhã, verde e viva, e o entardecer ruborizado, bucólico e relaxante, sejam nossos maiores prazeres.
O nosso parco dinheiro, o encaminhamos para as necessidades básicas, especialmente dos enfermos, das mulheres e das crianças. Às vezes, nos deixamos levar por algum mínimo supérfluo. Afinal, somos humanos !!

NÃO SÃO PREGUIÇOSOS
Os sem-terra não são preguiçosos, pois além de produzirem muito do que consomem, trabalham por seus direitos e trabalham pelos direitos de milhares de outras pessoas que um dia usufruirão dos seus benefícios, quando tais direitos forem reconhecidos em sua amplitude e devidamente regulamentados.
Todas estas ações - reflitam bem senhores e senhoras - não são, tanto os cansativos(como os de auto-produção) como as atividades sociais...., não são a forma mais pura e produtiva de trabalho ?....Os direitos humanos, vivenciados hoje por milhões que moram nas cidades, não existem graças à luta trabalhosa e persistente de pioneiros e ativistas do passado ? !!....Certamente que sim !!
Além disto, vejo à minha volta homens e mulheres das mais diversas profissões, além de sua aptidão à terra, que trabalham em serviços avulsos para complementarem suas rendas.

OS SEM-TERRA SÃO UM MODELO ALTERNATIVO PARA A SOCIEDADE FUTURA
Querem ver mais, membros desta importante comissão, as implicações outras que destas realidades se depreendem ? Vocês tem em suas mãos, diante dos seus olhos, um pequeno modelo para uma sociedade futura verdadeiramente mais feliz, justa e harmonica com as leis da natureza. Os sem-terra são este modelo, embora eles próprios não tenham completa consciência desta potencialidade. Um protótipo, tanto de vida comunitária, como de forma de administração, como de seus sistemas produtivos. Não são modelos perfeitos, mas com certeza são muito melhores que o falido modelo de concentração industrial, comercial e consumista das cidades. Os sem-terra são, por intrínsica natureza, um exemplo de solução para os problemas sociais e ambientais, que por ora apenas se iniciam para as sociedades humanas.
Querem relegá-los a um segundo plano ? Justamente aqueles que dedicaram suas vidas em sofrimentos, privações e desesperanças debaixo das lonas ?....Creio firmemente que vocês não farão isto !!

VER COM VOSSA SABEDORIA INTERNA
Portanto, senhores e senhoras, membros da comissão julgadora, recorro à vossa consciência política, social e espiritual, a fim de que, do íntimo dos vossos seres, possais compreender e ver - com vossa própria sabedoria interna - os argumentos que relaciono abaixo e que são, a meu ver, argumentos concludentes de que os acampados sem-terra não devem ser discriminados e merecem receber preeminência sobre os outros inscritos e candidatos aos lotes vagos.

COMO PROVAR A PREFERÊNCIA
1° Para tudo o que se deseja e quer, há que se provar que este desejo maior, ou vontade, deve se expressar por ações que o confirmem. O ato de acampar e em meio a dificuldades aguardar junto aos órgãos públicos uma merecida vaga, é a maior evidência e prova de que, além do desejo, possue-se a vontade férrea e a determinação persistente de se conseguir um pedaço de terra para sua vida individual ou familiar.
Um mero preenchimento de um formulário de inscrição não é necessáriamente uma prova que o pretendente quer ou merece realmente a terra, com vontade e pureza de intenção, embora tenhamos completo respeito ao direito de qualquer cidadão requerer um lote de terra ao Incra.
Enfim, os acampados sem-terra são aqueles declaradamente interessados que, nas beiras das estradas ou debaixo de suas lonas, lançam ao mundo o seu apelo de liberdade : "Devolvam-nos, pelo amor de Deus, o nosso pedaço de chão, porque nós somos os seus legítimos e preferidos guardiões" !!

REFORMA AGRÁRIA AMPLA E IRRESTRITA
2º Aguardamos ansiosamente o dia quando haverão lotes disponíveis a todos os que pretenderem morar na terra e cultivar seus próprios alimentos, sem distinções e extremadas restrições. Na terra, além dos alimentos, o homem do campo encontra outras atividades produtivas que o preenchem com recursos e alegrias.
Porém, como atualmente (e infelizmente) as oportunidades de se conseguir um lote de terra são ínfimas, vejo-me na difícil tarefa de sugerir-lhes parâmetros de seleção a candidatos. Creio que esta emérita comissão também se sente constrangida e indecisa, pois certamente desejam os senhores e senhoras designarem lotes a todos os interessados, tanto apenas os inscritos como os acampados.

LUTAM TAMBÉM POR MAIS JUSTIÇA SOCIAL
Ou ainda, entendendo melhor, desejaríamos, todos, que nem houvesse a necessidade de se criar uma comissão de seleção a fim de escolher alguns poucos indivíduos e famílias.
E ainda mais : aclamaremos, vibrantes, o dia quando extinguir-se-ão todos os movimentos sem terra....O dia em que a sociedade, os políticos e os administradores reconhecerem, por completo, o direito à terra a qualquer brasileiro ou brasileira que nela pretender trabalhar e viver, e o dia em que as leis regulamentarem adequadamente este direito.
Destas realidades e conceitos depreende-se a intenção deste 2º argumento : os sem-terra acampados, sejam eles indivíduos, famílias menores ou maiores; os que tem maior, mediana ou menor experiência na agricultura, comprovada ou não, merecem - todos - os seus lotes, com urgência, pois são seres humanos que por um, dois, três ou mais anos estão a sofrer pressões,  privações e humilhações, a saborear desesperanças, a conviver com o estressamento psicológico da espera no intuito de possuirem sua tão almejada e legítima terra, e na luta por defenderem princípios para uma melhor e completa justiça social.
Eles merecem - todos eles - digníssimos membros o cumprimento de seus desejos e vontades pois, para além de si mesmos, defendem um direito destinado a todos os seres humanos.

GRAÇAS AOS MOVIMENTOS DOS SEM-TERRA
3º Ampliem-se nossas consciências : A quem se deve, em maior grau, a maior parte das leis existentes atualmente que beneficiam a reforma agrária ? A quem se atribuir os assentamentos já concretizados ou em preparação ? A quem mais parabenizar pelos parciais sucessos alcançados, senão aos acampados, que desde há décadas lutam para que os seus direitos sejam ouvidos e as leis a eles referentes sejam aprovadas ? Quem são os pioneiros, que à frente das massas, conseguiram conquistar os assentamentos que aí estão, incluindo o de Pradópolis ?....

OS PODERES DOMINANTES NADA FAZEM SE NÃO HOUVER LUTA
Vós acreditais, escolhidos membros, acatadas parcerias, protetoras prefeituras e caros brasileiros e brasileiras que condencendeis com esta justa causa.... acreditais que sem os movimentos organizados que reclamam por novos direitos e valores; que sem as manifestações e revoluções sociais pacíficas; os políticos, os governos e os poderes econômicos providenciarão, por expontânea vontade, os meios que efetivem estes novos direitos e valores ?....Impossível !!

AS REVOLUÇÕES SANGRENTAS DO PASSADO E AS ATUAIS
A humanidade sempre progrediu movida pelas revoluções, como a história bem o prova. No passado, por revoluções conflitantes e beligerantes, mas nesta nova época, creio firmemente que as revoluções continuarão a movimentar a progressão da sociedade, porém somente aquelas de natureza pacífica, cujas armas são os movimentos sociais, os gritos de reclames, a sensibilidade para se entender os novos tempos, o idealismo, a educação e o conhecimento. Espero que sejais movidos por estas forças e não pelos impulsos retrógrados e egoístas que se findaram no século XX.
Portanto, prezados comissários, proponho-vos designar um número limitado de vagas para "premiardes" os inscritos acampados, como bem o merecem, e direcionar as vagas restantes à seleção dos demais inscritos. Ou, então, deveis dar uma pontuação tão alta, por direito e justiça, aos acampados, a fim de que os mesmos tenham uma maior e dignificada oportunidade de serem desde já assentados.

PROBLEMAS COMPREENSÍVEIS EXISTEM
Problemas entre nós existem, como é normal em toda agregação humana, tanto coletivos, como particulares, mas são problemas compreensíveis, dada a situação especial em que vivemos. São problemas toleráveis como em um campo de exercício da amizade e do entendimento. E, principalmente, são problemas passíveis de educação que os saneie por completo.
Dêem-nos este ensejo, respeitada comissão, a todos nós e, se o desejarem, que condicionem a cessão dos lotes a várias exigências, também justas, de ocupação, para que possamos provar, finalmente, nossas reais intenções de morar e trabalhar na terra, e para que possamos nos tornar dignos deste "prêmio" a que este documento sugere.
Façam isto, senhores e senhoras e alegrem-se por se transformarem, creio, nos primeiros da história a reconhecerem, na prática, o elevado princípio do direito à terra e as lutas pioneiras e profícuas para a conscientização e a conquista deste direito, exercidas pelos acampados desde muitos anos.

São Carlos, meses finais de 2002,

Luiz Antonio Vieira Spinola,
Publicado na internet em : janeiro/2012

OBS : Há um adendo a esta carta que será publicado posteriormente, que trata do princípio da descentralização, imperativo para modelos de assentamentos humanos sustentáveis.




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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

MODALIDADES DE ECOVILAS - A integração entre as várias formas de ecovilas - Movimentos que oferecem modelos alternativos de assentamentos humanos - Convivência harmoniosa entre as diversas ecovilas - Ecovilas de propriedade particular - Ecovilas de propriedade pública - Ecovilas de ricos e de pobres econômicos - Iniciativas que formam um elo entre os idealistas e a realidade da sociedade a fim de resolverem os problemas ambientais e sociais - Ecovila social - Ecovila agrícola - Ecovila de economia solidária - Ecovila de economia compartilhada - Todas as modalidades são bem vindas para oferecerem propostas e vivências a uma humanidade que precisa modificar seus valores e redirecionar seus caminhos - O Movimento Brasileiro de Ecovilas



Reservatório de água pluvial com bomba manual



AS DIVERSAS FORMAS

DE ECOVILAS

Em harmonia com a natureza !!
Os vários grupos humanos são diversos. A consciência de que precisamos de novos modelos de existência e convivência humana aflora a partir dos inúmeros segmentos da sociedade. É, pois, normal a diversidade de opiniões e posicionamentos. Creio que seja necessário haver de tudo, desde as ecovilas elitistas até as dos sem-terra ou as ecovilas de economia compartilhada entre os monásticos, os de real vida simples e as ecovilas ciganas de transição. Este é um posicionamento filosófico, diplomático, unificador e veículo da tolerabilidade. Esta, certamente, deve ser a posição do Movimento Brasileiro de Ecovilas.

No entanto, particularmente, cada um merece e deve integrar-se a uma ecovila com a qual mais se afina e pode, e deve, disseminar os princípios e valores que mais defende.
Soluções alternativas para a produção de alimentos
Concordo com o exposto pelo Fred sobre as muitas opções de idealistas integrarem-se nas possíveis soluções convencionais que se esforçam para serem uma ponte entre o que realmente está sendo a sociedade e o modelo ideal proposto e vivenciado por alternativos e ecovileiros.

Aqui em São Carlos-SP, por exemplo, estou envolvido em defender a viabilidade de um assentamento especial em uma APA. Neste envolvimento, inseri o conceito e a necessidade de "ecovila agrícola", único modelo que poderia harmonizar-se com nascentes e rica biodiversidade, além de possibilitar o ideal e a estrutura de uma ecovila a famílias simples dos movimentos sem-terra e outras. Para conhecer :
(Ou na pesquisa Google, digitar : ecovila agrícola)
O joão-de-barro ensina ao homem uma solução sustentável


Partes de uma resposta a um tópico de discussão em grupos do Google

Luiz A. V. Spinola, 13 / dez / 2011


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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A MULHER E A LIBERDADE - A emancipação da mulher - Direitos e deveres iguais aos dos homens - Instinto de apropriação - Origem da antiga supremacia do homem - Necessidade antiga do homem proteger fisicamente a mulher - a verdadeira independência para homens e mulheres

A mulher dedicava-se exclusivamente às atividades
caseiras, enquanto o homem caçava e protegia sua
família e seu grupo. Hoje, em tendencial igualdade,
  a mulher vai à luta pelos meios de subsistência e
alcança posições de defesa e liderança.
A MULHER E A LIBERDADE
A liberdade de homens e mulheres através do conhecimento e do auto-domínio  



A opressão, a exploração, e mais recentemente, a discriminação que a mulher tem sido vítima, é uma prova evidente do instinto de apropriação e domínio inato no ser humano. Este instinto provêm das mais remotas origens, e está ligado à necessidade de proteção e preservação da maioria das espécies animais. Nelas, os machos tem primazia para poderem exercer sua função de controle e domínio adequados à necessidade de proteger famílias e grupos sociais.

No entanto, há muitos séculos, o ser humano transpôs a barreira de seus instintos mais primitivos. Gradativamente, no decorrer de alguns poucos milênios, a civilização em constante desenvolvimento "aculturou-se" o suficiente para prescindir da preeminência e liderança do seu elemento masculino: o homem. Em contraposição, a mulher iniciou-se em seu processo de independência, de libertação e, nos dias de hoje, caminha para consolidar a sua completa emancipação.

Se no passado os homens "precisavam" sobrepujar e dominar as mulheres a fim de exercerem adequadamente a sua função de defesa e proteção, hoje, embora a missão militar seja exercida principalmente pelos homens, tal posição já não lhes confere o direito de primazia e controle sobre as mulheres. Nas idades primitivas os humanos tinham muitos inimigos : além de outros grupos, animais perigosos e a própria inospitalidade do ambiente. É provável que devido a estes problemas eles foram forçados a se agregarem em unidades sociais cada vez maiores. (famílias  em tribos; tribos em clãs e clãs em nações). O homem rude da antiguidade dominava as mulheres e crianças (excepcionalmente, alguns povos desenvolveram sociedades matriarcais) com a finalidade de preservação e sobrevivência mas, com certeza, desde estes primórdios e até aos dias de hoje, o elemento masculino, aproveitando-se desta posição, sujeitou e sujeita a mulher a seu mando, num grau bem acima do que lhe era e lhe é devido.

A mulher emancipada participa na "luta pela sobrevivência", que agora traduz-se não na defesa contra "animais ferozes", por ex, mas na conquista necessária aos meios de subsistência, na aquisição do conhecimento, nas regras de partilhamento e na criação dos princípios da convivência social.

Atualmente, pode-se afirmar que o único inimigo do ser humano é o próprio ser humano. E, em se  considerando como defender-se de suas próprias ciladas, as mulheres são exímias lutadoras.

A mulher, possuidora de uma natureza mais intuitiva e interiorizada, dispõe-se
positivamente a resolver conflitos pela diplomacia, pelo entendimento e pelo acordo final. É disso que os humanos de hoje necessitam para combaterem os seus maiores inimigos: as seqüelas de suas lutas passadas: o que restou de seu instinto de apropriação e domínio.

As mulheres devem dar continuidade a seu processo de emancipação e tornarem-se completamente livres das imposições e predomínios dos homens, até o ponto onde suas oportunidades, seus direitos e seus deveres se igualem.

Mulheres e homens devem prosseguir em sua luta contra aquilo que mais os prende às suas origens: o seu desejo desmedido de posse, de controle e de domínio. Só assim a verdadeira liberdade virá para ambos!      


Luiz A V Spinola, março/2007
Reeditado em 07/março/2008
Publicado no Ambiente Social - blog em 09/nov/2011


Direitos Autorais Reservados.

Permitida a reprodução somente em sites ou outros meios de comunicação sem fins lucrativos pessoais ou corporativos desde que o texto seja acompanhado destes adendos. Para sites que visam lucro, direta ou indiretamente, ou outros meios de comunicação, entrar em contato com o autor :
luizavspinola Arrouba gmail.com  


UMA CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO DE  CONTRIBUIÇÕES SERÁ IMPLEMENTADA PARA SUBSIDIAR A OFICIALIZAÇÃO DA "ASSOCIAÇÃO INFOERA DE LEITORES E ESCRITORES PARA UM MUNDO MELHOR" E PARA VIABILIZAR A CONCRETIZAÇÃO DE FUTUROS PROJETOS AMBIENTAIS, SOCIAIS E CULTURAIS.



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terça-feira, 8 de novembro de 2011

O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA - 20 de novembro - A luta pela liberdade - Zumbi, o herói dos Palmares é símbolo e exemplo para uma Nova Humanidade, que primeiro precisa se libertar de seus próprios impulsos de apropriação e domínio

O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, ZUMBI E A LUTA PELA VERDADEIRA LIBERDADE

Em Zumbi, e em toda a luta dos africanos escravizados e dos afro-descendentes, a humanidade vê um exemplo esplêndido de dignidade e luta por direitos, especialmente o direito à liberdade.

Embora o mundo atual ufana-se da democracia e da liberdade, longe está de realmente vivenciar e comemorar este elevado estágio social. Após algumas conquistas, vê-se a escravidão voltar em novas formas. O sistema capitalista, que precisa de "liberdade" para explorar, condiciona as mentes e os corações desejosos em modelos pré-definidos e homogêneos de como se deve viver bem e feliz. Bloquea-se, desta forma, a liberdade de criação, de escolha e de diferenciação saudável. A tendência é supervalorizar o status social e o poder econômico.

Se antes lutamos por nos libertar das sensalas e das chibatadas, hoje as classes exploradas precisam, primeiro, se conscientizarem que devem se libertar do apego infundido pela indústria e o comércio aos infinitos bens e atrativos tecnológicos. Depois, libertarem-se deste sistema que bloqueia o "ser a si mesmo", que faz de indivíduos, famílias e classes inteiras, uma repetição de um modelo platônico, onde a ilusão do melhor, do vencedor, dá, realmente, oportunidades a pouquíssimos.

Vivemos no mundo do jogo. É do vício do jogo da concorrência, do querer ser melhor que o outro, é que devemos nos libertar. Este modelo leva, necessariamente, à impactação, ao confronto e ao caos, embora disfarçado pelo expressão demagógica : "concorrência saudável" ou "concorrência leal".

Tendemos a culpar classes ou corporações importantes, ou de grau superior. Porém, é intrinsica à natureza humana a competição, o desejo de supremacia, a exploração. Estas características provindas do reino animal (mas necessárias a ele) é a causa que leva grupos a explorarem grupos, classes a explorarem classes. Mesmo entre os mendigos, há os mais espertos, os que conseguem mais recursos em suas "correrias". No entanto, as classes mais pobres tendem a ser mais solidárias entre si, compartilhando suas conquistas. Os mendigos são, neste sentido, mais dignos e exemplares às classes sociais superiores.

Chegou o tempo em que a principal liberdade a ser conquistada será aquela que livrará os humanos de seus próprios impulsos e tendências apropriantes e egoístas.

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